Um homem pode ter suas várias personalidades distintas sobrepostas por máscaras. Ele pode até esconder-se ou expressar-se por meio de algumas delas através de pseudônimos ou até mesmo através de suas várias maneiras de interpretar o mundo em sua volta. Para um em especial, essas várias facetas de si mesmo eram tão reais quanto ele próprio. A densidade de suas criações tangia a realidade. Dentre as muitas pessoas que o maior poeta do século XX, Fernando Pessoa, criou pode-se destacar o erudito, clássico e de uma singular maneira de retratar paisagens em suas odes horacianas, Ricardo Reis; o modernista, futurista, sensacionalista e de uma revoltosa maneira de escrever seus poemas, Álvaro de Campos; o camponês autodidata, poeta da natureza e seu grande mestre, Alberto Caeiro. Fernando foi um grande criador de mitos, viveu vários deles durante seu tempo. Definia-se poeta e filósofo, porém o mundo literato o define como moderno, clássico, nacionalista, místico, revolucionário, materialista e panteísta. “Um criador de Anarquias” neste espetáculo, Fernando Pessoa fala através de seus variados heterônimos, dentre eles: Bernardo Soares, Antonio Moura, Barão de Teive, Thomas Crosse, Maria José entre outros.